Santa Inês sob o domínio do medo: empresários são assaltados e temem por suas vidas

Uma situação de tensão, medo e terror. É assim que vários empresários e comerciantes estão vivendo em Santa Inês nos últimos dias. Vários deles já foram assaltados em plena luz do dia em seus estabelecimentos comerciais ou em outros lugares como a fazenda, por exemplo. Os bandidos levam o que podem, desde dinheiro, jóias, celulares e até carros. As vítimas se calam diante da possibilidade de receberem represálias por parte dos assaltantes. Para se ter uma idéia da audácia dos bandidos, no bairro da Laranjeira, um dos centros comerciais mais movimentados da cidade, um comerciante, dono de um depósito de vendas a grosso, já foi assaltado várias vezes e chegou a ser emparedado pelos bandidos por duas vezes em um só dia. Ele quer vender o negócio e ir embora daqui. Os assaltantes não estão respeitando nem mesmo o horário de fechamento do comércio. Sabe-se de um caso em que o comerciante fechou as portas da loja as 18:00 horas e o assaltante ficou afrontando-lhe do lado de fora exigindo que ele abrisse a porta pois queria pegar o faturamento do dia. A maior parte dos assaltos registrados envolvendo empresários e comerciantes, em geral tem uma particularidade: não são registrados na delegacia. As vítimas têm medo de ficar frente a frente com os bandidos na delegacia ou de sofrer represália por parte deles caso venham a ser presos. Pelo menos em três ou quatro casos mais recentes isso foi regra seguida pelas vítimas; não dar parte na delegacia. “Se não dá parte, não registra a devida ocorrência a polícia não pode fazer nada e a história só se fica sabendo em mesa de bar e outros lugares inadequados. O crime não entra nem para as estatísticas da polícia”, disse na terça-feira ao Agora Santa Inês o delegado regional Jéferson Serra. De fato, se o crime não foi registrado na polícia, como é que se quer que essa mesma polícia seja responsabilizada pela solução do ocorrido? A polícia, principalmente a Civil, age motivada por denúncias ou de vítimas, do Ministério Público ou da imprensa. Nesta linha de raciocínio quem deve chegar primeiro ao plantão de polícia é a vítima. Por outro lado, algumas vítimas (nenhuma delas quer ser identificada) ouvidas pelo Agora disseram que não confiam no trabalho da polícia; “e quando os bandidos são presos, no dia seguinte já estão soltos e vem nos coagir. A Justiça não consegue mantê-los detrás das grades” comentaram quase todos eles. No meio de tudo isso está uma classe que foi mais bafejada pela sorte no quesito prosperidade do que outras menos aquinhoadas - nem por isso fora do foco dos bandidos – que não sabe o que fazer para ter uma vida tranqüila. Em razão disso vários empresários de Santa Inês fizeram opção em contratar segurança particular, quase sempre prestada ilegalmente por militares da PM em horários de folga. Eles temem por sua segurança e de seus familiares e pretendem também, com a contratação de segurança privada, inibir a ação dos bandidos que estão cada vez mais audaciosos.

agorasantaines.com.br

00:00 - 07/04/2006






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