Casos de doenças respiratórias já cresceram 53% na capital maranhense

Os números de casos de doenças respiratórias na estiagem – fim do período chuvoso – aumentaram mais que o esperado nesse ano. No Hospital da Criança, o clima oscilante e seco do período de estiagem causa, em média, um aumento de 30% nos atendimentos a casos de doença respiratória. Esse ano, o aumento registrado já chegou a 53%. Tal aumento é atribuído à enchente que atingiu todo o estado nos primeiros meses de 2009, ao medo da auto-medicação, devido os riscos da gripe A (H1N1) – a gripe suína – e a aglomeração de crianças nas colônias de férias.

O setor de inalação do Hospital da Criança estava lotado na manhã de ontem. Eram crianças com sintomas de gripe e mães receosas. “A minha filha ficou muito fraquinha e com a respiração muito cansada, por isso a trouxe com urgência para o hospital. Graças a Deus ela já está sendo atendida e vai melhorar”, conta Maria Tatiana, mãe de Carla Vitória, de um ano e sete meses. Outra mãe que estava com o filho no hospital era Cleide Mendes. “Já tem uns 15 que ele está resfriado. Esse clima não está fazendo bem pra ele”, conta a mãe de Lucílio, de dois anos e dez meses.

“Nesse período, o hospital está sempre lotado”, afirma a médica pediatra e diretora-geral do Hospital da Criança Luciane da Costa. O Hospital da Criança está atendendo mais de 300 pacientes por dia e conta, em cada turno de 12h, com quatro médicos de plantão. “Cada médico vem atendendo uma média de 40 pacientes por turno, é muita coisa”, continua.
O período de estiagem é favorável às doenças respiratórias porque com o cessar das chuvas o clima fica menos úmido (favorecendo os ácaros), as queimadas são mais freqüentes (gerando muita fumaça) e as pessoas fazem mais obras em casa (causando poeira e cheiro de tinta). “Esse clima de estiagem é perfeito para o aparecimento de doenças respiratórias”, enfatiza a médica infectologista Remédios Branco.

Exagero

Tendo em vista essas características, o aumento de doenças respiratórias no período de estiagem já é esperado pelos hospitais, porém, o aumento esse ano foi exagerado. No Hospital da Criança, os especialistas atribuem esse aumento exagerado a três fatores: a enchente do início do ano, o medo da gripe suína, e a aglomeração de crianças nas colônias de férias. Quanto à aglomeração nas colônias de férias, é uma tendência que vem crescendo com o tempo. “Quando as mães não trabalhavam, as crianças ficavam em casa nas férias. Agora que as mães estão trabalhando fora, as crianças vão com mais freqüência para as colônias de férias, onde ficam aglomeradas com outras crianças e a transmissão do vírus é maior”, pontua a pediatra .


Marcela Mendes, O Imparcial

11:46 - 31/07/2009






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