40 MINUTOS DE TERROR DENTRO DE ÔNIBUS DA BOA ESPERANÇA

Placa do ônibus que foi assaltado

Cerca de 40 passageiros que seguiam em um ônibus Executivo da empresa Boa Esperança, que procedia de Belém com destino a São Luís, viveram quase uma hora de terror dentro do ônibus a pouco mais de 30 quilômetros de Santa Inês na noite de quinta-feira (16), durante um assalto cometido por quatro homens armados de revólveres e pistola. Parte dos passageiros embarcou em Santa Inês por volta das 7 da noite.
Os quatro elementos não usavam máscaras, e sim bonés, e tocaram o terror entre os passageiros que tiveram que entregar dinheiro, joias, celulares, cartões de crédito, alianças, óculos e outros pertences aos bandidos. Muitos desses passageiros tiveram armas apontadas para suas cabeças e foram ameaçados de morte. O assalto teria durado, segundo testemunhas, algo em torno de 30 a 40 minutos e foi anunciado minutos depois que o ônibus cruzou a cidade de Igarapé do Meio.
Ainda segundo apurou o AGORA junto a várias vítimas do assalto, dos quatro elementos que cometeram o ato criminoso, dois teriam embarcado no ônibus em frente nas proximidades da Dalcar, localizada na Avenida Castelo Branco aqui em Santa Inês, minutos depois que o mesmo deixou a Estação Rodoviária. Os outros dois teriam embarcado no Executivo da Boa Esperança pouco antes de ele chegar a Igarapé do Meio, na estrada, em local escuro.
O que causa estranheza em tudo é que esse tipo de ônibus não pode parar no percurso entre Santa Inês e São Luís nem para o jantar dos passageiros, foi o que informou o gerente da empresa em São Luís, de nome Maia e vendedores de passagens aqui em Santa Inês antes de o ônibus partir.
Os assaltantes mostravam-se todo o tempo agressivos e ameaçadores. Um teria ficado colado ao motorista ordenando que ele não parasse, dois ficaram no corredor recolhendo os pertences dos passageiros e um quarto elemento ficou no fundo do ônibus onde está localizado o banheiro. Este quarto assaltante teria cismado com um professor e jornalista (dono de um blog) dizendo que ele era policial e que por isso poderia morrer se tentasse reagir, ao que o homem negou tal afirmação e se identificou como sendo professor e jornalista e que procedia da cidade de Zé Doca. O blog dele foi o único a denunciar o fato logo na manhã seguinte, sexta-feira, 17. A imprensa não teve acesso ao caso e o AGORA só ficou sabendo do mesmo na manhã de sábado após o jornal já estar circulando.
Ainda segundo as informações, os assaltantes eram jovens, estavam bem vestidos e após se darem por satisfeitos teriam desembarcado do ônibus nas proximidades do povoado Acoque, na BR-222. Acredita-se que um automóvel poderia estar seguindo o ônibus para resgatar os assaltantes. Depois do fato acontecido o ônibus seguiu para São Luís e lá todos, depois de percorrerem várias delegacias, conseguiram encontrar um delegado que resolveu ouvi-los e autorizou a confecção do Boletim de Ocorrência.
Alguns passageiros do Executivo da Boa Esperança iam embarcar em voos noturnos no Aeroporto Cunha Machado, em São Luís, mas tiveram seus documentos roubados pelos assaltantes e necessitavam de algo que os possibilitasse embarcar. Outros passageiros também queriam o registro policial do fato para se precaverem do uso indevido de seus documentos e para promoverem uma ação coletiva, ou individual, contra a empresa, uma vez que foram vítimas de assaltantes que segundo eles, os passageiros, o ônibus não poderia ter parado para dar embarque aos mesmos, que por certo não apresentaram nenhum documento, como é obrigatório, ao motorista que dirigia o coletivo sem a presença de um auxiliar e ademais, não havia mais poltronas disponíveis para acomodar qualquer outro passageiro.
DEVOLUÇÃO DE DOCUMENTOS
Os documentos de 15 dos 48 passageiros foram encontrados poucas horas depois nas proximidades de Santa Inês, às margens da BR-316, próximo do Frigorífico Fribal. Conforme a gerência da empresa, os documentos foram encontrados enrolados em um lençol e já começaram a ser entregues na garagem da empresa, localizada à Rua da Cerâmica, Bairro João de Deus, São Luis. Alguns foram enviados para Santa Inês e entregues aos seus respectivos donos.
A equipe de reportagem do AGORA entrou em contato com representantes da empresa Boa Esperança que informaram que a orientação é para que os motoristas não parem à margem das estradas, principalmente à noite. Segundo Maia, gerente da empresa em São Luís, todos os passageiros que entraram no ônibus embarcaram no terminal rodoviário de Santa Inês. Porém os passageiros afirmam que o motorista parou duas vezes entre o percurso da Estação Rodoviária de Santa Inês e as proximidades da cidade de Igarapé do Meio, sendo que nas duas ocasiões dois rapazes embarcaram de cada vez, causando estranheza aos passageiros uma vez que não havia como acomodá-los.  
PORQUE PAROU
O assalto fez suscitar vários questionamentos. Um dos principais é por qual motivo o assalto tendo sido iniciado na área de abrangência da Delegacia Regional de Santa Inês, nenhuma ocorrência foi  registrada pela empresa aqui na Delegacia Regional? Esse tipo de assalto já ocorreu outras vezes e a empresa não teria permitido a divulgação dos mesmos?
E mais; questionado pela reportagem do AGORA Antonio Raimundo, gerente da empresa em Santa Inês, afirmou que é comum que os motoristas parem para o embarque de pessoas fora dos terminais rodoviários, apesar de não ser essa a orientação recebida da diretoria da empresa. Como isso é comum se os passageiros embarcados nos terminais rodoviários tem a obrigação de apresentarem documentos de identificação, coisa que não é possível de ser feita no meio da estrada?
Ainda conforme a gerência da Boa Esperança, em Santa Inês, todas as investigações para solucionar o crime acontece a partir de Belém – PA onde está também o motorista do ônibus que contribui com o inquérito, ele  é residente em Santa Inês. Por outro lado, uma ação coletiva contra a empresa Boa Esperança por danos morais e financeiros, além de outras tantas ações individuais estão sendo encaminhadas  à Justiça. O fato não teria sido nem do conhecimento da Polícia Rodoviária Federal cujo posto na região fica a menos de 30 km de onde se iniciou o assalto. Várias pessoas ameaçadas pelos assaltantes estão procurando a polícia para denunciar o fato e pedir providências.

Documentos foram encontrados à margem da BR 316

 


16:01 - 22/10/2014






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