O CHEFE DA TORCIDA, O CHEFE DA QUADRILHA E O PALHAÇO

As manifestações contra o governo oferecem a oportunidade de autoridades se pronunciarem a respeito dos variados temas. Um dos que se destaca é o ministro Edinho Silva, escolhido para arrefecer o ânimo das oposições, com a expressão natural de um ilustre desconhecido da população.

O povo brasileiro mantém na memória as agressivas manifestações de grupos ligados ao Partido dos Trabalhadores que saiam às ruas gritando “FORA TUDO”, “FORA TODOS”, depredando bens públicos e privados, além de agredir fisicamente pessoas interessadas nas privatizações de setores ineficientes e deficitários do Estado. As imagens de pontapés desferidos contra empresários geradores de empregos e pagadores de impostos ainda é viva na mente do povo.

Agora, dirigentes do Partido dos Trabalhadores, no poder há 13 anos, depois de levar o país à bancarrota, em entrevistas apáticas ou arrogantes criticam as manifestações, afirmando que se trata de movimentos da minoria insatisfeita com o governo que, segundo eles, encheu a panela do povo de comida e o livrou da miséria.

Ninguém duvida da inclusão social desenvolvida no período, porém, se houve a inclusão, também ocorreu a descoberta do processo de corrupção que é divulgado diariamente, causando no brasileiro a maior vergonha desde tempos imemoriáveis.

O trabalhador de ontem está se transformando no desempregado de hoje, e sabe que, dentro de poucos meses, deixará de receber os auxílios oficiais por falta de recursos. Além disso, o empréstimo consignado que gerava ilusões nos assalariados e aposentados agora é o lobo-mau que assusta a todos.

A desqualificada afirmação de um dos líderes do governo sobre a fala do sociólogo Fernando Henrique Cardoso – craque em Brasil e em política – é digna de “Comandos Futebolísticos” que enchem os estádios de violência e medo. FHC, um dos chefes da oposição, está torcendo mesmo é para o fim do destrambelhado governo que, na verdade, é, como diria Ulysses Guimarães, um governo que não governa e uma presidente que não preside.

O palhaço, artista de rua, é personagem lembrado por manifestantes que usam  nariz de plástico como símbolo de revolta contra o governo. Recentemente, o palhaço Tico Bonito fazia uma apresentação em um festival infantil em Cascavel, Paraná, e, após críticas políticas e democráticas sobre comportamentos policiais e a atuação do governador Beto Richa, foi preso por desacato à autoridade. É o fim da picada, especialmente por ser em Cascavel.

O governador Beto Richa tem sido vítima de excessos policiais praticados em seu governo. Já foi assim na greve dos professores, e o episódio do palhaço, reforça a impressão de que o país pode prescindir de políticos da seriedade e competência de Richa. O governador , reeleito com expressiva votação, dias após a posse, foi atingido por uma greve legítima, combatida com violência pela polícia. Agora, como procedeu anteriormente, o governador determinou a abertura de inquérito para apurar as responsabilidades das autoridades, ditas desacatadas, e defendeu a liberdade de expressão, considerando que não viu na fala de Tico Bonito qualquer sentido de desacato. É isto que se espera de um governante: meter o dedo na ferida e ser sincero nos seus procedimentos. Não dá para tergiversar e enrolar o povo.

Hoje, com as redes sociais, as imagens são irrefutáveis e publicadas imediatamente. Mentir, esconder, manipular, corromper e não reconhecer erros deixaram de ser simples verbos para se transformar na repulsa dos brasileiros aos seus governantes.

Sobre o chefe da torcida e o palhaço foi fácil discorrer, o difícil é falar sobre o chefe da quadrilha que ninguém sabe quem é, mesmo que inflado.

 

06:52 - 22/08/2015






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