Professores decidem manter a greve

Apesar da decretação da ilegalidade da greve dos professores da rede pública estadual e a determinação judicial de retorno imediato dos docentes às salas de aula, a categoria continuará o movimento por tempo indeterminado. A decisão foi tomada ontem à tarde durante plenária realizada no Centro de Ensino Governador Edson Lobão (Cegel). A confirmação de que a greve será mantida acontecerá sexta-feira à tarde, em assembléia da categoria marcada para às 16h no ginásio do Cegel. Com a greve decretada ilegal, os docentes prometem radicalizar o movimento. Para hoje, está marcado o enforcamento simbólico do governador Jackson Lago, em frente ao Palácio dos Leões. Inicialmente, a categoria avaliou encerrar a greve por conta da decisão judicial e retomá-la em agosto. Também foi cogitada a realização de uma “greve branca”, na qual os professores iriam para as escolas, mas sem ministrar aulas. Entretanto, pela possibilidade de desgaste da categoria com a sociedade, os professores resolveram manter a paralisação mesmo com todas as conseqüências previstas na decisão do juiz Raimundo Nonato Neres, da 5ª Vara da Fazenda Pública, que decretou a greve dos docentes ilegal, acatando pedido de antecipação de tutela da Ação Civil Pública movida pelo Governo do Estado. Além do retorno imediato dos docentes às salas de aula, o magistrado recomendou corte do ponto dos grevistas e multa diária de R$ 50 mil a ser cobrada do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (Sinproesemma) por cada dia ilegal de greve. A decisão ainda não está em vigor porque o sindicato, até ontem a tarde, não havia sido notificado. De acordo com o advogado do Sinproesemma, Henrique Teixeira, o juiz Raimundo Nonato Neres, entrou de férias um dia após ter decretado a ilegalidade da greve e não assinou a notificação ao sindicato. Isso significa que as sanções contra a greve terão validade apenas quando o substituto de Raimundo Neres assumir a 5ª Vara da Fazenda Pública e assinar o documento. Os docentes irão recorrer da decisão por meio de um agravo de instrumento com pedido de efeito suspensivo de liminar. Enforcamento Os professores prometem radicalizar o movimento a partir de agora. A primeira ação deles será o “enforcamento político do governador Jackson Lago”, hoje, durante mobilização que será realizada a partir das 8h, na porta da Biblioteca Benedito Leite. De lá, os docentes partirão em caminhada ao Palácio dos Leões. Conforme os próprios docentes, a ação seria um desfecho do julgamento simbólico feito no dia 22 de junho, que “condenou” o governador Jackson Lago por “sucateamento da educação estadual”. “O governo não quis negociar com as categorias e agora não temos mais alternativa. Ou partimos para uma ação efetiva e radical ou seremos obrigados a amargar mais essa derrota. Agora é tudo ou nada”, ponderou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (Sinproesemma), Odair José. “Em relação à multa prevista ao sindicato, nós temos como recorrer. O que não pode acontecer é perdemos direitos adquiridos”, completou o presidente do Sinproesemma. “O governador cometeu um suicídio político com a decretação da ilegalidade da greve na Justiça. Essa ação, ao invés de enfraquecer o movimento, serviu de oxigênio para a categoria. E todos estão dispostos a fazer o que for necessário para manter a greve até a revogação da lei 8.592/2007”, esbravejou Marcelo Pinto, líder do “Movimento de Resistência dos Professores contra o Projeto de Lei do Governo”. Durante a semana, também estão previstos outros grandes movimentos que, por medo da retaliação policial, não foram divulgados pelos grevistas. No domingo, deverá partir uma caravana de professores ao interior do estado. Eles devem fazer movimentos e protestos nas principais cidades do Maranhão.

11:53 - 04/07/2007






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