Professores ignoram Seduc e mantém greve

Os professores da rede estadual de ensino ignoraram a determinação do secretário de Educação, Lourenço Vieira da Silva, com base na decisão do juiz da 5ª Vara da Fazenda Pública, Raimundo Nonato Neris, para o retorno imediato às salas de aula. Ontem, por exemplo, dos 570 professores que trabalham em três grandes escolas do Centro da cidade (Liceu, Bernardo Coelho de Almeida – BCA e Cegel), apenas dois compareceram para voltar às atividades e alguns para receber contracheques. Além disso, poucos alunos também foram às escolas buscar informações sobre o retorno das aulas. A decisão judicial determinou corte dos docentes faltosos e é válida desde a última quinta-feira. De acordo com o diretor do Centro de Ensino Governador Edison Lobão (Cegel), Waldenêr Costa Neto, apenas dois professores, dos 250 da escola, compareceram ontem pela manhã para ministrar aula. Além disso, somente seis alunos estiveram no Cegel. “Nós não temos como obrigar os professores a voltar à sala de aula, nem os alunos para que as aulas sejam reiniciadas”, informou o professor Costa Neto. O aluno do primeiro ano do ensino médio, Jonas Aguiar Alves Júnior, um dos seis alunos que foram ao Cegel ontem pela manhã, disse ter ficado desapontado e que somente voltará ao Cegel quando tiver certeza de que as aulas serão reiniciadas. “Vi a nota que a Secretaria de Educação colocou na televisão dizendo que as aulas deveriam ser reiniciadas hoje (ontem), mas não encontrei professor e vou voltar para casa. Como o governo não está dialogando com os professores, os maiores prejudicados são os alunos”, contou Jonas Júnior. No Centro de Ensino Médio Bernardo Coelho de Almeida (BCA) e no Liceu Maranhense, os poucos professores que compareceram foram buscar contracheques. A vice-diretora do turno matutino do BCA, Sergiliana Nava, afirmou que se surpreendeu com a posição dos cerca de 150 docentes da escola ao contrariar determinação da Seduc para o retorno imediato às aulas. “Fiz o que a Seduc me recomendou. Abri a escola às 7h e fiquei esperando os professores. Poucos apareceram, mas somente para pegar contracheques. Eles estão muito mobilizados e não pretendem voltar tão cedo. E eu não posso obrigar a ninguém voltar para a escola. Até porque sou professora e ‘estou’ vice-diretora. Amanhã, posso não estar mais nesse cargo ”, comentou Nava. A situação foi a mesma no Liceu Maranhense. Nenhum professor, dos 170 que compõem o quadro da escola, apareceu ontem pela manhã para ministrar aula. Entretanto, há a expectativa de que as aulas possam recomeçar no Liceu nesta semana. Os docentes do Liceu devem realizar uma reunião hoje, às 17h, para decidir pela continuidade ou não da greve. “Os professores são adultos. Sabem da determinação judicial e fazem o que acharem melhor. Eu não tenho a prerrogativa de cortar ponto, mas sou obrigado a informar à Seduc os professores faltosos”, decretou Raimundo Marques, diretor do Liceu Maranhense.

10:34 - 10/07/2007






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