Um grande passo para a saúde

Em 1983, quando a primeira edição de SAÚDE! chegou às bancas, o termo calçado esportivo já era conhecido. Porém, cá entre nós, ele dava nome a um objeto bem diferente dos tênis de hoje. Digamos que o conceito do que precisávamos era claro, mas as tecnologias para sua realização ainda davam os primeiros pulos. “Agora, sim, existem materiais muito mais flexíveis, duráveis e leves, que protegem nosso corpo eficientemente”, compara Eliane Fátima Manfio, consultora técnica do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos, o IBTeC, localizado em Novo Hamburgo, no interior do Rio Grande do Sul. à saúde começou com o sistema de amortecimento, aquele que minimiza o impacto da passada, resguardando as articulações. “No início, o desenvolvimento desse tipo de sistema era o carrochefe das indústrias de calçados”, pontua Júlio Cerca Serrão, educador físico da Universidade de São Paulo (USP). E as tentativas de aperfeiçoá-lo cada vez mais parecem nunca ter fim. Apesar de essencial, o amortecimento não é, nem de longe, a única área em que os calçados esportivos deram saltos rumo ao bem-estar. Esse tipo de sistema melhorou muito a vida dos esportistas. Mas, se o pé não se ajusta ao calçado, o corpo continua sofrendo. “É por isso que a tendência recente é desenvolver tênis que sejam mais individualizados”, explica Ricardo Cury, professor do grupo de cirurgia do joelho e trauma esportivo da Faculdade de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Sim, estamos falando dos modelos voltados para os pés supinadores, cuja passada é para fora, ou pronadores, para dentro. Eles têm uma distribuição de força específica por toda sua sola e, assim, necessitam de palmilhas e solados customizados. “Apesar dessas diferenças, ainda existem limites, já que cada pé é único e há pessoas que não se adaptam nem sequer a esses tênis”, lamenta Arnaldo José Hernandez, ortopedista e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. Aí, o jeito é apostar nas palmilhas ortopédicas, que corrigem a maneira de pisar de cada um. Por falar em personalização, um terreno novo, e que ganha espaço, é o de materiais esportivos específicos para cada modalidade — incluindo, claro, os tênis Afinal, atividades como o futebol e o golfe requerem calçados que garantam muita aderência ao solo. Por sua vez, outros esportes, caso do basquete e do vôlei, exigem um sistema de amortecimento especial. “Ou seja, na hora de comprar um modelo, é preciso levar a sério sua finalidade”, ensina Cláudio Pavanelli, fisiologista da Universidade Federal de São Paulo. Não vale levar outro par mais bonito, porém feito para outro esporte. Os componentes cada vez mais duráveis empregados nos tênis também são destaque nos calçados modernos. Para ter uma idéia, é possível percorrer até mil quilômetros, correndo ou caminhando, sem que a capacidade de absorção de impacto seja alterada. “E essa distância quase nunca é ultrapassada por amadores, que geralmente compram outro par quando o velho já está sujo e feio”, relata Serrão, que conduziu uma pesquisa para comprovar que os modelos atuais são campeões em resistência. Bom para a sua saúde — e, claro, para o seu bolso. DE VOLTA AO PASSADO “Comprar um tênis falsificado é um retrocesso para os anos 1970”, alerta Júlio Cerca Serrão, educador físico da USP. E a explicação é simples: esses calçados simplesmente ignoram toda a tecnologia criada nas últimas décadas em prol dos ossos e músculos. E mais: alguns deles ainda contêm substâncias tóxicas, como o chumbo, que, além de extremante pesadas, são nocivas. “Observando como os tênis falsos são vendidos por aí, é preciso encarar o problema como uma questão de saúde pública”, completa Serrão. Por CÉSAR KURT Design EDER REDDER Ilustrações GABRIEL SILVEIRA

16:33 - 13/11/2008






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