Veias preguiçosas

Já pensou em como é árdua a escalada que o sangue faz da ponta dos pés de volta ao coração? Se para baixo todo santo ajuda, subir a ladeira não é tão simples — veias e músculos precisam trabalhar em equipe para realizar a tarefa com sucesso. Acontece que alguns vasos da perna não aguentam o tranco: perdem o fôlego, relaxam, afrouxam o cinto... pronto! Basta uma pausa prolongada no expediente para que o sangue empaque no meio do caminho. Esses vasos indolentes, que se deixam dilatar, são nada menos que as populares varizes. Antigas conhecidas da mulherada, as marcas inconvenientes têm levado cada vez mais jovens ao consultório. Isso pode estar relacionado a fatores como o sedentarismo crescente, a obesidade, o cigarro e o uso precoce de anticoncepcionais. “Além disso, o acesso ao médico está mais fácil ultimamente”, observa o angiologista e cirurgião vascular Marcondes Antonio Figueiredo, de Uberlândia, no interior de Minas Gerais. Na verdade, o grande responsável pelas veias tortuosas não está sob o nosso controle. “Em 90% dos casos, o problema é hereditário”, constata Fernando Soares Moreira, angiologista e cirurgião vascular da clínica Steticlin, em São Paulo. Essa tendência pode ser potencializada pelos hormônios femininos, um privilégio das mais moças. Eles deixam as paredes da veia mais flexíveis e, consequentemente, aumentam o risco de dilatação. Por isso até mesmo a pílula, a gravidez e a reposição hormonal aumentam o risco. Na lista dos réus também estão os quilinhos a mais e a falta de atividade física. “É importante estimular os músculos da panturrilha, que auxiliam no bombeamento do sangue nas pernas”, orienta Priscila Nahas, diretora do Departamento de Fleboestética da Sociedade Brasileira de Flebologia e Linfologia. Embora as marcas apareçam quatro vezes mais em mulheres, os homens não estão livres desse mal — e por motivos semelhantes. Aliás, o número de marmanjos que procuram tratamento para varizes cresce vertiginosamente. “Há 15 anos, eu não atendia um único homem com finalidade estética. Hoje isso é rotina no consultório”, conta Miguel Francischelli Neto, da Clínica Naturale, em São Paulo, e professor do Hospital de Ensino da Santa Casa de Misericórdia de Limeira, no interior do estado. Fonte: Saúde Abril

10:58 - 02/03/2009






Desenvolvido por Adriano Marinho