Criança é vítima de suposto erro médico

Após receber uma injeção no Hospital Centro Médico, Deborah Melo, de dois anos de idade, teve choque anafilático. Hoje, aos três anos, vive em estado vegetativo, apresentando um quadro que, para os médicos, parece irreversível Um possível erro na aplicação do medicamento Cefalotina, quase tirou a vida de Deborah Melo Padilha, hoje com três anos e três meses de idade. Saudável, alegre, esperta e inteligente desde que nasceu, Deborah se encontra hoje sem coordenação motora, não fala, não anda, não reconhece as pessoas, se alimenta com dificuldade e possui crises epiléticas repentinas. Os pais, Gustavo Padilha e Luciana Melo, estão desconsolados. Com dificuldades financeiras, a família precisa de ajuda para a compra de remédios, fraldas descartáveis e uma cadeira de roda especial, que custa em média R$ 2.200. Os interessados em ajudar podem ligar para os seguintes números de telefone: 3243-46-60/ 8819-7536 e 8815-9630. Versão dos pais - O pai de Deborah, o porteiro Gustavo Padilha, não se conforma com o estado de saúde da filha. Munido de laudo médico, documentos com os depoimentos de testemunhas e várias fotografias da filha antes e depois de dar entrada no Hospital Centro Médico, no bairro Monte Castelo, ele contou à reportagem do Jornal Pequeno, o que aconteceu no dia 25 de outubro de 2005 - data que ele afirmou que nunca mais irá esquecer. Segundo Gustavo, por volta das 3h30 do dia 25 de outubro de 2005, sua filha, que ainda tinha apenas dois anos de idade, sentiu uma febre muito forte e apresentava tosse e vômitos. Levada ao Hospital Centro Médico, Deborah ficou internada, sob os cuidados da médica Hélida Cristina Alcântara. Por volta das 5h40, o pai teria ido para casa buscar algumas coisas da criança. Nesse mesmo momento, sua sogra teria chegado à casa dele, dizendo que a filha estava na UTI e que tinham que ir às pressas ao hospital. "Quando cheguei minha filha já havia sido entubada e levada à UTI. Entrei em desespero e fui procurar saber o que tinha ocorrido", contou Gustavo Padilha. Testemunha - Uma testemunha, Auristélia Mendes Paixão, foi quem teria percebido o grave estado de Deborah, chamando atenção da mãe da criança. Auristélia teria dito que uma enfermeira, não identificada, aplicou uma injeção de Cefalotina na criança, quando a luz do quarto estava semi-apagada. Preocupada, acendeu a luz e viu que ela estava tendo um choque anafilático. Desesperada, saiu pelos corredores do hospital, pedindo socorro. Uma enfermeira teria se negado a ajudar, dizendo estar ocupada, e a outra enfermeira teria olhado a criança e nada fez, a não ser chamar um clínico geral. A criança foi levada para reanimação e em seguida, para a UTI, onde ficou respirando por meio de aparelhos. Deborah Padilha ficou 15 dias na UTI. Suas tomografias e ressonância mostraram que uma parte do cérebro dela estava altamente comprometida. Transferida para o Hospital Sarah, os médicos teriam dito aos pais, que o estado da criança era irreversível. Versão do hospital - Segundo a contadora e responsável pela coordenação da administração do Centro Médico, Ana Maria Bacelar Ferreira, este foi o primeiro caso de choque anafilático ocorrido no hospital. Ela acredita que nem a enfermeira, nem os médicos e nem o hospital tenham culpa de nada. Ana Maria disse que a mãe da criança seria a maior culpada, por não ter percebido a tempo, que Deborah estava passando mal. "O que aconteceu é absolutamente normal. O medicamento foi aplicado e infelizmente houve o choque. A enfermeira fez o que tinha que ser feito, pois o medicamento estava prescrito. Teve um caso parecido, no mesmo ano, em outro hospital, e a criança chegou a falecer. Você não acha que o pai dessa criança que morreu não preferia que sua filha tivesse, pelo menos, sobrevivido como a Deborah?", disse Ana Maria. A coordenadora da administração do Centro Médico disse que ficou sensibilizada com a situação da criança e chegou a ajudar a família dela, fornecendo bacias para banho, agilizando o processo para que eles conseguissem o tratamento no Hospital Sarah e com isso, pudessem receber uma aposentadoria por ter uma paciente no Sarah. "Só não ajudamos mais porque o pai dessa criança, o Gustavo, vive nos ameaçando. Ele chega aqui gritando, falando de forma grosseira, dizendo os maiores desaforos e querendo dinheiro. Se ele tivesse vindo conversar com humildade, nós, com certeza, teríamos ajudado ainda mais. Temos a consciência de que o que aconteceu foi uma fatalidade, mas ainda assim, ajudaríamos", afirmou Ana Maria Bacelar. Quando indagada sobre o paradeiro da enfermeira que aplicou a injeção, Ana Maria disse que não se lembrava do nome dela, e que a enfermeira, após o episódio teria pedido demissão e largado a profissão. "Não sabemos onde ela está hoje. Ela saiu do Centro Médico porque o Gustavo vivia lhe fazendo ameaças. Ela ficou traumatizada, mesmo não tendo culpa do que aconteceu, e abandonou a profissão", explicou. Justiça - Gustavo Padilha afirmou que não está convencido da versão do hospital e já entrou na Justiça contra o Centro Médico. Ele abriu um processo investigatório na Promotoria de Justiça e outro indenizatório no Fórum. "Quero justiça. Só eu sei como está minha vida hoje. Olho para a minha filha todos os dias e não acredito que isso está acontecendo. Ela continua linda, mas antes podia expressar sua alegria e sua vontade de viver. Eu vou até o fim nessa história onde eu sei que existem muitos culpados", afirmou o pai de Deborah Melo Padilha.

12:34 - 01/11/2006






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