Comunidades quilombolas iniciam greve de fome em São Luís

Na manhã desta quarta-feira (10) um grupo de lavradores e descendentes de índios da etnia gamela se reuniu no auditório do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), emSão Luís, e após uma longa reunião e oração decidiram iniciar uma greve de fome por tempo indeterminado com o intuito de justificar o engavetamento de estudos antropológicos encomendados pelo Incra para definição de áreas quilombolas no maranhão. Dos 29 processos apenas um teria sido concluído.

Representantes de comunidades formadas por descendentes de escravos de várias regiões do estado do Maranhão estão ocupando desde esta terça-feira (9) a sede do órgão. Eles querem a presença de um representante da direção nacional do Incra para resolver pendências voltadas a titulação de terras.

Segundo o Incra, a empresa contratada para fazer o estudo antropológico não teve condições técnicas de concluir o trabalho. Os quilombolas vieram de, pelo menos, dez municípios. Eles trouxeram muitas queixas e até relatos de ameaças. No entanto, eles admitem que o maior problema da comunidade seja relacionado à titulação da posse da terra.

Para o lavrador Eustácio Santiago a situação é mais complicada. Bisneto de uma escrava de Nina Rodrigues que era dona de treze mil hectares de terras, ela teria recebido a área como pagamento, por ter sido prostituída na época pelo fazendeiro, dono da senzala que ela vivia.
Agora apenas 800 hectares continuam com a família que vive ameaçada.

Sobre o assunto, o superintendente do Incra no Maranhão, Jowberth Alves, informou que vai se reunir na tarde desta quarta-feira (10) com os quilombolas, e que em 45 dias os laudos devem começar a ser feitos, a partir da parceria a ser firmada  com as universidades.


16:14 - 10/06/2015






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